Escorregue neste escorregadio escorregador....
Paraty é, sem dúvida, uma cidade linda. O centro histórico é desenhado por pequenas construções antigas e conservadas pela população que as ocupa para o comércio, restaurante, pousadas ou até mesmo, própria moradia.
O chão é difícil de andar. Em função do modo como as ruas eram construídas antigamente, os turistas se encontram como que em um grande e intermninável "tabuleiro" de amarelinha. Pulando de pedra em pedra, se faz o passeio entre as boutiques, com artesanato vindo direto da 25 de março.
Os gringos(muitos no local), se amontam sobre os peixes de madeira, as camisetas e os ambulantes que vendem cocadas a mil.
Cheguei a Paraty de ônibus. Da rodoviária Novo Rio até a minúscula (e sem banheiros) de Paraty são quatro horas contadas. No entanto, quando a água do ar-condicionado pinga em você durante todo o trajeto, o percurso parece muito mais longo.
Ao meu lado no busum (como denomina o meu amigo baiano Guiné), sentou uma garota loira, extremamente loira. As bochechas bem vermelhas e cabelo louco, completamente.
Dormi durante a primeira hora da viagem e, ao acordar, percebi que estava parada em um desses postos de estradas. Tentei perguntar se estávamos lá há muito tempo, mas ela esboçou uma reação meio estranha. Saí do ônibus e fui comer pão de queijo.
Quinze minutos depois, o motorista buzina chamando todos de volta ao transporte. Sento novamente e, não contente com a frustrante primeira tentativa de comunicação com a polaca, tento de novo.
-Você é brasileira?
(Cara de nada)
-Are you Brazilian?
-No. Suíça.
Hum...entendi. A garota era suíça. Conversamos um pouco mais, ela esboçava um português arranhado. Tinha 20 anos e passava férias no Rio. Depois seguiria por todo o Nordeste e para o Peru. Corajosa a garota. Admiro os estrangeiros que vêm ao Rio de Janeiro destemidos, mesmo com a popularidade marginal do local.
Na rodoviária nos despedimos. Ela estava mais molhada do que eu porque a goteira do ar preferia os que se sentavam no corredor. Encontrei então, meus pais e minha irmã.
Choveu todo o feriado em Paraty. Mesmo assim, turista que é turista se diverte até na chuva. Visitamos cachoeiras e fizemos uma passeio de barco pelas ilhas da região. Na volta, uma tempestade gelada e constante nos atingiu. Todos se espremiam na parte coberta da embarcação.
Enfim, já no píer, andamos alguns metros sobre as tábuas de madeira da plataforma até chegarmos no tal centro histórico onde o carro estava parado.
Enquanto eu me equilibrava entre as pedras antes citadas, escuto um sábio conselho vindo de longe, do topo de uma bicicleta:
-Cuidado com o chão garota. Está escorreguento!
Não importa a linguagem, a comunicação é indispensável.
Escrito por Que tenho pra contar às 11h34
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