Chove Chuva...
Certa vez, em uma Carnaval, eu e a Thiara nos metemos em uma encrenca do tamanho do universo. (Mas essa história fica pra uma outra vez)....O porquê de eu ter citado essa trapalhada é o fato de ter um episódio apavorante de enchente no meio. Enchente bem ruim, que nem a que peguei hoje.
Minha mãe fala que eu tenho que sussegar, ficar mais em casa, coisa e tal...aquela papagaiada de mãe...mas eu sempre acabo arranjando alguma coisa pra fazer.
Hoje, por exemplo, é um dia que não deveria ter saído de casa. Mas nããããããããão....."Lá vai a Heloisa bater perna!"
Na volta do meu passeio, eis que começa a chuva descomunal.
Eu não enxergo bem na chuva, à noite então...nem se fala! O sistema de ventilação do meu carro é, no mínimo, desesperador, e a minha flanela (coitada) está mais encardida e engordurada que aqueles panos que se usa para limpar pia (Ai, morro de nojo daquilo!).
Segui caminho, destemida e tranquila. Alguns metros à frente, já de cara encostada no vidro (é, que nem aqueles velhinhos), comecei a ficar mais preocupada com o aventureiro desbravamento da, pra mim tão desconhecida, "Penha".
Com a visão nula, resolvi me guiar pelas luzes de um Chevette (tá vendo, por isso não gosto de Chevettes); fomos cúmplices por aproximadamente dois quarteirões. Em um certo momento, numa dessas ruazinhas, eis que o Chevetão pára! As lanternas se apagam e o pânico toma conta da Heloisa. "Ai, ai, ai....e agora?!Danou-se tudo!!!"
Continue mesmo assim, e ao passar pelo Chevette, percebi o porquê da súbita parada: a rua estava absolutamente alagada.
Dizem que quem está na chuva é pra se molhar...Pois é, lá fui eu, pisando no acelerador até o talo e fazendo figa para que o meu automóvel (por alguns instantes, barco) também não arregasse para uma rélis chuvinha de fim de verão. Passei. Mas, algumas outras ruas à frente também estavam em situação semelhante.
Lembrei de um posto no caminho e, como eu sou a rainha da sorte, estava fechado com correntes. Nenhuma outra opção a não ser continuar seguindo e revezando a limpeza dos vidros da frente e laterais. Medo, medo, medo....quase pânico! "Droga, droga, droga...!!!"
Na Salim, a situação fica melhor. A chuva já estava mais fraca. Deu pra relaxar os ombros por alguns quilômetros até a Anhanha Mello....
Em meio às peripércias para desviar dos mini-lagos formados na avenida, uma super batida policial. Uma lotação e muitas motos, cercados por inúmeros carros de polícia. Mais ou menos 20 caras na parede, na chuva, armas para todos os cantos e muitos curiosos que atrapalhavam ainda mais o caótico trânsito.
Cheguei em casa e, como último problema, a garagem. Vidros embaçados e vagas estreitas simplismente não fazem um belo par. A simples tarefa diária e mecânica de estacionar o carro virou um martírio. A flanela tornou-se inútil praticamente no meio do trajeto. Se abrisse o vidro, me molhava; se deixasse fechado, não exergava.
Me molhei.
Escrito por Que tenho pra contar às 01h41
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