E é isso....


É ou não é?Eis a questão...

“Eu não disse que foi ela que matou o coelho”.

 

Pense nesta frase por um momento e a interprete. O que ela diz pra você?

 

 

 

 

 

 

Assisti uma palestra na faculdade ontem. O cara falou sobre os perigos na hora de escrever certas coisas por que estas podem gerar um zilhão de diferentes interpretações por parte de quem lê. Para ilustrar, utilizou a frase acima.

 

                                               Ao lermos essa frase, podemos interpretá-la de 5 maneiras diferentes.

 

1-     Foco na pessoa. Querendo dizer....EU não disse, outra pessoa disse.

2-     Foco na ação. Querendo dizer....Eu não DISSE, eu simplesmente pensei, comentei....não afirmei.

3-     Foco no sujeito da ação. Querendo dizer... Eu não disse que foi ELA que matou, pode ter sido outra pessoa.

4-     Foco no verbo.  Querendo dizer.... Eu não disse que foi ela que MATOU, ela pode só ter assustado o bichinho.

5-     Foco no objeto. Querendo dizer....Eu não disse que foi ela que matou o COELHO. Ela pode ter matado o cachorro, o gato, o passarinho...etc...

 

 

Esta aí um dos grandes perigos da comunicação.

 

Às vezes, uma mensagem óbvia pode não ser tão óbvia assim. Ou às vezes, de tão óbvio que é, não é levado em consideração.

 

Às vezes, tudo é tão explícito a ponto de soar como não verdadeiro. Ou às vezes, o que se diz muito explicitamente, realmente se faz com intenção de realidade.

Cabe aos que se comunicam tirar suas conclusões e, se não as compartilham clara e detalhadamente, tudo pode não passar de um grande desentendimento.

Escrito por Que tenho pra contar às 00h27
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Dia do Beijo

Hoje é Dia do Beijo, eu acho.

Na verdade, praticamente todo dia eu recebo um e-mail falando que é dia do beijo, que é dia disso e que é dia daquilo. Hoje, quando acordei, a primeira coisa que minha disse foi: Feliz Dia do Beijo.

Entrei na net e meu amigo imperador ilustrava seu nick com a seguinte frase "Dia do Beijo a puta que te pariu". (Uau!Que revolta). Não resisti e saudei o garoto com um emoticon de beijinho, aqueles de beiço bem vermelho.

-Por que a revolta?

-Ah...carência...coisa e tal.

É.....é complicado!

O Dia do Beijo só devia existir para os que tem a quem beijar. Assim como o Dia dos Namorados só pra quem tem namorado.

...

Enfim....a que tem com quem comemorar, Bom proveito!

 



Escrito por Que tenho pra contar às 16h30
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Estou feliz, mas estou triste. Voltei com as aulas de inglês e eu sempre adorei fazer isso. No entanto, eu queria mesmo é estar na minha área......Bom, lamentações à parte(hoje não seria um dia bom para isso, já que estou meio pra baixo...), vou contar algumas histórias de sala de aula. Vocês não imaginam o que pode acontecer entre quatro paredes....

 

É divertido ensinar, fazer performances e dar muita risada com os seres mais estranhos que você pode imaginar. Eu comecei a dar aulas aos 17 anos (praticamente uma pirralhinha) e de cima de toda a minha altura, tive que enfrentar algumas buchas por causa da idade.            

  ( Pergunta Número 1: Você, executivo de multinacional, daria moral pra uma garotinha te ensinando inglês?)

Escrito por Que tenho pra contar às 11h47
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A primeira aula, sem experiência alguma, foi, no mínimo, cômica. Nunca tive problemas para falar em público, mas quando você entra em um cubículo de 2,5X2m e o lugar destinado a você é o centro da sala, a qual abriga cinco pessoas (4 homens de gravata e uma mulher no terninho mais que alinhado) a situação muda de figura.

(Pergunta Número 2: Você ficaria no meio da sala ou no canto?)

 

Entramos na caixa da tortura e a porta foi fechada.

Ôou! “E agora? Olha o livro, pensa, pensa, pensa... é fácil, é fácil, é fácil.... você sabe, você sabe, você sabe”...Mantra inicial, por um momento fui Hare Krishna.

 

-“Você que é a teacher nova?”

-“Yes, that´s right. Heloisa, Nice to meet you!”

 

[Olhar de desdenho geral]

 

-“Quantos anos você tem?”, disse o velho com cara de “piiiii”-palavra censurada

 

Ai, ai, ai....e agora....e agora?

 

- “Te respondo no final da aula, OKAY?!Now....Let´s start our”...blá blá blá.

 

Aquela “uma hora e quinze minutos” foi uma das mais longas da minha vida. A primeira aula de uma turma é geralmente estranha. Os alunos se entreolham, não respondem as perguntas e medem a sua roupa, do prendedor de cabelo até o sapato( Na época, eu usava dreads!) e olham para o relógio, posicionado estrategicamente acima da cabeça do professor, a cada exatos cinco minutos. Parece uma eternidade.

(Pergunta Número 3: Por que aluno acha que olhando no relógio, o tempo passa

 

Quando se passam os cinco minutos de canja (que os professores sempre dão para fazer o aluno pensar que ele é um “mestre” sério e ranzinza, disposto a dar aula até os últimos minutos ), os estudantes vão ficando impacientes e impacientes até que resolvem finalizar tudo rapidamente para sumir de vez.

 

- “See you next week, see you next Wednesday…have a good weekend”….fica o professor repetindo compulsivamente, em pé ao lado da porta, enquanto os adolescentes se atropelam ao sair ou os mais velhos e as dondocas ajuntam seu material nas pastas dadas pela escola na hora da matrícula(só esta classe efetivamente usa a tal pasta) e as patys retocam o gloss, (o que irrita qualquer professor, por mais bem humorado que seja, pois só saímos da porta depois de todos os alunos deixarem a sala).

(Pergunta Número 4: Por que não dar tchauzinho sentada?)



Escrito por Que tenho pra contar às 11h46
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É claro que sempre tem as namoradas que ainda vão ligar para os namorados vir buscá-las, as divorciadas que confundem sala de aula com consultório de psicologia e os cdfs, que inventam dúvidas e pedem exercícios extras suficientes para um ano. E dá-lhe paciência.

 

Depois de um tempo, os alunos tornam-se amigos: chegam atrasados toda aula e pedem para sair quinze minutos antes. Trazem os objetos mais estranhos como companhia (certa vez, um aluno cismou em assistir aula fazendo malabares (Sim, é verdade!). Eu sou legal, mas malabares enquanto eu explico já é um pouco demais. Disse ainda que estava praticando o tal do número com fogo. Ai, ai, ai...bem longe da teacher, please!

 

Como toda função, ser prof tem suas dores e delícias. Ganhar presente, perceber o progresso e a felicidade do cara ao pronunciar certo e receber um “Perfect. Very good” e lidar com as mais diferentes pessoas é a parte sensacional da história. Depois, vêm as toneladas de lição de casa, os erros que foram alertados mil vezes nas redações e ter que estar sempre bem, mesmo quando não se está: professor não tem dor ou mau humor, são seres alheios ao mundo.

                                                              

                                                                             (...)

 

 Três anos atrás, eu tinha uma turminha bacana: 6 meninos de entre 14 e 16 anos. Esta aí um adendo não muito inteligente: professora de 18.

(Pergunta Número 5: Quem é louco de tentar dar aula para 6 meninos, que vão para a escola forçados e estão dispostos a te tirar do sério a qualquer custo?)

 

Esta turma, no entanto, me traz ótima recordações...

 

Certo dia a aula estava fluindo. Risadas para cá, risadas para lá, Teacher Helô pra cá, Teacher Helô pra lá. Eu estava estranhando o olhar atento dos garotos, que não tiravam os olhos de mim e respondiam às questões com prontidão e um sorriso maroto no rosto (fato praticamente raro). Aproveitei a cooperação e tagarelei sem parar.

Ao final da aula e depois de proclamar os já antes citado “Bye-bye, Have a Nice Day e etc.”, fui ao banheiro.

Escrito por Que tenho pra contar às 11h45
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No espelho, o entendimento: eu estava azul. Sim, eu parecia um Smurf gigante.

O canetão usado nos quadros brancos solta tinta a torto e a direito e eu, na inocência e displicência, nem percebi. Meu rosto estava totalmente manchado de tinta azul, escuro(diga-se de passagem). Testa, nariz, bochechas e boca pintadinhos, formando a perfeitoa caricatura para garotinhos malvados.

 

Ao abrir a porta do banheiro (ainda com a tinta na cara, porque era praticamente impossível removê-la), eu encontrei a trupe, esperando a minha reação. Muitas risadas.

No meio da bagunça, eis que chega o Sr. Edson, meu chefe e dono da escola na época.

-Helô, o que está acontecendo?

-Nada Sr. Edson.(Riso contido e cara azulada, mais manchada porque a água espalha a tinta).

-Você está azul.

- É, tivemos um acidente durante a aula.

-Ah, tá bom.(com cara de quem não está entendendo nada).

 

Fui embora azul.

(Pergunta Número 6: Quem cometeria uma gafe dessa?)

 

É por essas e outras que eu fiquei ali por quase quatro anos...

(Pergunta Número 7: Alguém larga um emprego onde seu chefe te vê azul, durante expediente, e fica tudo bem?)

 

Estou lá de volta. O dono é outro e os alunos são outros, mas espero que as situações sejam cada vez mais deliciosas.


Escrito por Que tenho pra contar às 03h02
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"O bom filho à casa torna"

Helô é "teacher" de novo até conseguir um estágio ( que já demorou, inclusive).

Melhor que nada.



Escrito por Que tenho pra contar às 01h45
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