Sobre roncos e fretados e sobre porcos e touros....
Cheguei mais cedo ao ponto de ônibus hoje pela manhã. Como se sabe, quando você é passageiro de fretado, pode pegar qualquer uma das linhas, mas o seu lugar garantido(sentado) só se faz valer nas linhas que você cadastra no ato do pagamento.
Peguei a linha 14, ao invés da 17(extensão de minha cama todas as manhãs). Ao entrar no ônibus, a coordenadora avisou: “Está cheio. Tente achar um lugar para sentar, senão, terá que ir de pé”.
Percorri todo o ônibus à procura de um cantinho. Lá no fundo, eis que avisto o motivo de minha alegria (que mais pra frente se revelou minha tristeza): um único e singelo lugarzinho.
Ao meu lado, uma gordinha, dessas bem loiras, que usam bolsas feitas de calça jeans (Perdoem-me os que gostam, mas eu acho pavoroso).
Ela estava deitada de lado, encolhida no canto. Logo que sentei, fiquei pensando sobre o critério que usamos para selecionar a pessoa da qual sentaremos do lado no ônibus ou no cinema, por exemplo(mas isso já foi tema de um dos meus textos neste blog, então, deixa pra lá...).
Estava feliz porque aquela uma hora do trajeto eu considero o meu “soninho da beleza”. Alguns minutos depois, minha felicidade foi-se embora.
A garota parecia um urso. Uma sinfonia, bem depositada aos pés de meus ouvidos, pôs-se a tomar conta do ambiente. Pensei em algumas mil maneiras de fazer com que esta cessasse o ronca-ronca. Foi em vão. Fiz o meu celular despertar, mudei o banco de posição, tossi uma tosse forçada e NADA. Ela dormia como uma anjinho; bêbado.
Reparei em uma aliança de compromisso, reluzente, em seu dedo. “Coitado do rapaz”, pensei comigo. E logo depois emendei. “Se até ela, que usa bolsa de calça jeans e ronca pra danar tem namorado, o meu deve estar pra chegar.”*rs*
O caminho da Pães de Barros à Faria Lima foi uma tortura chinesa. Quando ela desceu, a paz voltou a reinar, mas eu já estava próxima do meu ponto de desembarque. Vim bufando, como um touro.
Prefiro ser touro (ignorem o duplo sentido dos chifres, porque deste eu não faço questão) do que porco.
Escrito por Que tenho pra contar às 16h07
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