Luto
Dedico este texto ao tio Laerte, que hoje partiu para um outro canto da nossa existência que eu ainda não posso descrever.
Dedico por todos os bons momentos que ele me proporcionou. Por levar 15 adolescentes enlouquecidos na caçamba da S10, ouvindo I can´t stop loving you, do Van Halen, no último volume. Por passar nas lombadas sem brecar para nos fazer rir de tanto pipocar dentro do carro. Por me forçar a assistir os vídeos de ballet mega chatos da Alê e por me mandar calar a boca quando ele estava assistindo ao seu dvd favorito e eu fazia questão de pontuar os comentários mais desnecessários. Agradeço até por ele tesourar nossas baladas no Carnaval do Guarujá: "Duas pivetes de 13 anos não tem que chegar às 4 da manhã e ponto final", e no fim, ir nos buscar às 5:00, na rua de trás da Phoenix, para não passarmos vergonha na frente dos gatinhos de cima dos nossos saltos altos tentando parecer adultas.
Tio Laerte, beatlemaníaco e paciente.
Saudade.
Escrito por Que tenho pra contar às 18h59
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Ciclo da felicidade
Ah, as férias!
Tempo de arrumar armário, ir ao cinema duas vezes por semana, terminar de ler os livros que estão na lista há algum tempo.
Organizar fotos antigas, ligar para os amigos sumidos, visitar os mais sumidos ainda e assistir novela das oito esparramado no sofá, de pijama.
Ah, o pijama!
Na atualidade, minha roupa preferida. Gosto mais dos bem velhos, com as barras estragadas de tanto raspar no chão e o caimento perfeito; se encaixam no corpo como luvas de couro.
Pode ser com bolso, sem bolso, aquela camiseta do vereador fulano de tal ou aquele moletom de 5 anos atrás, que sua mãe já fez de tudo pra jogar fora e você reluta até o fim.
Os pijamas novos não têm a mesma graça, o mesmo cheiro e o mesmo conforto. Demoram a ficar confortáveis o suficiente e irritam ainda mais porque ficam presos no corpo quando me remexo durante a noite.
Ah, as noites!
Mágica, misteriosa e deliciosa. Os sonhos vêm junto às estrelas; vêm também os pesadelos e a raiva na hora em que se abre o olho no meio da madrugada e descobre-se que a vontade de fazer xixi é mais forte que o calor do edredom. Encerra-se na manhã...
Ah, as manhãs!
Caras emburradas, olhos inchados e pressa, muita pressa, pra não perder a hora. Café engolido, trânsito infernal e o dia inteiro por vir.
Ah, os dias!
Longos, curtos, felizes, engraçados e produtivos (às vezes, é bem verdade). Têm passado rápido para mim; assustadoramente velozes. E, quanto mais se passam os dias, mas perto estou das férias...
Escrito por Que tenho pra contar às 08h48
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Socorro!
Queria eu ter completo domínio de minha língua. Uma das mais difíceis no mundo, soa claro e é pesada, cheia de sons analasados impossíveis de ser reproduzidos por línguas e narizes não-nativos.
Queria eu saber todas as regras de colocação pronominal, todas as conjugações verbais em todos os tempos existentes e, é claro, não trocar NUNCA *nunquinha* os esses, os ces, os esseesses e cecedilhas. Sim, escrevi cecedilhas porque se colocasse simplesmente o ç, o s, o c e etc, estes soariam estranhos demais aos olhos do leitor.
Eu queria lembrar que o correto é sempre simplesmente, e não simplismente, como eu faço questão de escrever e só me recordo (ou será recordo-me?!) do fato quando o meu corretor do word acusa, em vermelho, o erro em potencial, porque este só vira cinético quando o ignoramos e salvamos o arquivo com aquele monte de sublinhados irritantes e, às vezes, totalmente ignorados.
Gosto das palavras criadas, inventadas, daquelas que não sabemos se existem na gramática ou se foram produzidas e espalhadas através do dom da comunicação humana.
Queria conseguir associar que anSiosa é com s porque vem de anSiedade e deixar a mania do c de lado. Queria também ser menos crítica quando ao muitos índios que repetem em alto e bom som: “Para mim fazer, para mim comer, para mim entender”. Todos os mims deveriam saber que mim não conjuga verbo.]
Queria um dicionário em minha cuca para conseguir o maior número de sinônimos para enriquecer minha fala e texto (sem recorrer ao recurso do Word, novamente).
Ah, por último eu queria perder a mania dos vcs, bjos e tbm a do tbm. São práticas, mas um assassinato à boa escrita. Minha prima de 12 anos me mandou uma mensagem hoje: “Eu ñ gosto d escola poriço”.
Prefiro acreditar que este tenha vindo de uma abreviação muito da mal feita, porque senão, chamem a polícia: “Assassinaram a gramática”, como já disse Gabriel, o pençador, ops, pensador.
Escrito por Que tenho pra contar às 17h45
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"As despedidas são necessárias para novos reencontros"
Nunca fui boa em despedidas. Elas me fazem chorar, me apertam o coração e transformam um simples "tchau" em um grande drama.
Confesso que, muitas vezes, soltei lágrimas sem fim, corei meu nariz e solucei compulsivamente alguém que se foi. Não para outro mundo, porque destas experiências, eu tive poucas, mas falo sobre os tchaus vindos de viagens ao exterior, dos tchaus de fim de relacionamento e os tchaus de amigos que se vão, sem explicação. Sofri os tchaus de épocas boas da vida, de sensações instigantes e de situações curiosas.
Já chorei despedidas felizes, despedidas tristes e despedidas que nunca assim foram denominadas. A palavra assusta. Nunca é bom dizer adeus.
No entanto, de algum tempo pra cá, aprendi a lidar melhor com isso. É preciso compreender que as pessoas vêm e vão.... Os sentimentos vêm e vão e assim, todo o resto; é a ordem natural das coisas!
Tudo muda. Tudo passa. Tudo vai e tudo, nem sempre, volta.
Escrito por Que tenho pra contar às 11h24
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