Sobre aparências, ferro e porcas voando
Se os britânicos dessem um prêmio por pontualidade, seria eu a vencedora.
Hoje, sai atrasada de casa. Aos poucos estou perdendo a tal vontade de acordar cedo e, mesmo colocando o relógio 20 minutos antes do horário para contar com os imprevistos, ultimamente tenho preferido gastá-los confortavelmente na minha cama.
Na ida até o estacionamento para pegar o fretado, o trânsito parou. Na minha frente, BEM na minha frente, um corcel achou que era forte o suficiente para disputar a vaguinha no trânsito maluco da Salim Maluf com um caminhão. Sim, um caminhão desses bem grandões.
"Caramba, porque ele tinha que fazer isso bem na minha frente?", pensei já apoiando o cotovelo na porta, que seguraria meu queixo enquanto os motoristas trocavam insultos, às 6h50 da matina.
Eu fiquei aguardando pra ver quem levaria a melhor no quesito destruição do veículo.
Acreditem se quiser, foi o caminhão. E eu, que estava duvidando do pretensão do corcel, fiquei lá, abobada sobre como uma entrada bem dada no meio da roda do grandão podia causar estrago considerável.
Fazendo a mais infeliz das comparações, imaginei o estrago como um golpe no joelho de um gigante. Ele cairia, com certeza.
As aparências efetivamente enganam.
Escrito por Que tenho pra contar às 09h22
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