Truques da infância
Quando eu era pequena entrava no banheiro, trancava a porta e ligava o chuveiro. Passava meia hora lá.....
...sentadinha na privada esperando cair água suficiente pra minha mãe achar que eu de fato era uma menina limpa.
Quando julgava que o tempo já era enganador à altura, molhava a mão na torneira e pingava gotinhas nos ombros. Enrolada na toalha, aquilo fazia todo o sentido.
O truque só durou até a Dona Regina perceber que tinha algo errado no quesito olfato com a criança e resolveu começar a checar o sabonete. Droga...eu me julgava perita em forjar as provas e esquecia de molhar o sabonete. Não é justo!
No meu mundo, justo não era ter que tomar banho com o aquele shampoo enganador "não causa lágrimas". Ah não...nos meus olhinhos, ele era pior que pimenta. Talvez o poder psicológico que o medo da lavagem no cabelo passava potencializava a irratibilidade pelo pote amarelo que habitava o meu box. Eu gritava, esperneava e nada adiantava.
Não teve jeito... tive que me acostumar com as noções básicas de higiene da família Caprioli.
Até abandonei a pasta de dente de mascar usada todas as noites antes de dormir...
Escrito por Que tenho pra contar às 22h54
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